Adyashanti

Adyashanti significa paz primordial.

Adyashanti é um professor espiritual norte-americano. Por 14 anos ele estudou Zen com professores da linhagem de Shunryu Suzuki. Aos 25 anos ele começou a experimentar uma série de transformações de despertar espiritual. Seis anos depois ele foi convidado por sua professora, Arvis Justi,  a ensinar. Desde então dá palestras e escreve livros sem estar vinculado a nenhuma tradição Zen específica.

“Como seria se você não tivesse que lutar, se você não tivesse que fazer um esforço para encontrar a paz e a felicidade? Como você se sentiria agora?”

Os ensinamentos não-duais de Adyashanti têm sido comparados aos dos antigos mestres de Zen e de Advaita Vedanta. Eles expressam tanto a infinitude de possibilidades quanto a simplicidade comum de uma vida espiritualmente realizada. Adyashanti é para as pessoas que se sentem sinceramente dispostas a despertar para sua verdadeira natureza e a incorporar essa percepção transformadora da vida. Ele desafia os buscadores de paz e liberdade a levarem a sério a possibilidade de liberação.

do site: http://vilamulher.terra.com.br/mestres-vivos-8211-adyashanti-9-7746233-5382-pf-sebastianvalle.php


Novo!

Pensamento e Liberdade de sofrimento

 Não há tal coisa como um absolutamente verdadeiro pensamento. Isto não significa que alguns pensamentos não são mais verdadeiro do que outros, apenas que nenhum pensamento é absolutamente verdade.

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O que é é o que está acontecendo antes que você tenha um pensamento sobre ele. Observe a diferença entre o que sua mente pensa sobre este momento e este momento, uma vez que ele é antes que você tem qualquer pensamento sobre ele.

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O sofrimento ocorre quando você acredita em um pensamento que está em desacordo com o que é, o que foi, ou o que pode ser. Enfrentar esse momento livre de sua mente' s interpretações de- lo.

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Você não é a sua história. Eles não são a sua história sobre eles. O mundo não é a sua história sobre o mundo.

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A VERDADEIRA MEDITAÇÃO
*MEDITAR É DEIXAR AS COISAS SEREM COMO SÃO!

A Verdeira Meditação não tem meta ou direcionamento. 
É uma pura entrega despida de palavras, uma pura oração silenciosa. 
Todos os métodos cujo objetivo é o de atingir um certo estado de mente são limitados, impermanentes e condicionados.
A fascinação com estados de mente nos leva apenas a limitações e dependências. 
A Verdadeira Meditação é uma quietude sem esforço, é um permanecer como o Ser Primordial.
A Verdadeira Meditação aparece na consciência espontaneamente, quando a consciência (atenção) não está sendo manipulada ou controlada. A primeira vez que você começa a meditar, você percebe que sua atenção, volta e meia, é capturada através da focalização em um objeto: nos pensamentos, nas sensações do corpo, emoções, memórias, sons, etc. Isso acontece porque a mente está condicionada em focar, contraindo-se sobre um objeto. 
Então, a mente compulsivamente interpreta e tenta controlar aquilo de que está consciente (o objeto) de uma forma mecânica e distorcida. 
Ela começa a desenhar conclusões e fazer suposições de acordo com o passado condicionado.
Na Verdadeira Meditação, todos os objetos (pensamentos, sensações, emoções, memórias, etc.) são deixados em seu funcionamento natural. 
Isso significa que nenhum esforço precisa ser feito para focar, para manipular, controlar ou suprimir qualquer objeto da consciência. Na Verdadeira Meditação, a ênfase está em ser consciente. Não em ser consciente de objetos, mas em repousar como o ser consciente, ele mesmo.
Na meditação, você não está tentando modificar sua experiência; você está modificando sua forma de se relacionar com sua experiência. 
Assim que você gentilmente ralaxa na consciência, a compulsividade da mente em se contrair sobre objetos vai desaparecer. 
O silêncio do ser vai estar mais claro na consciência e vai se tornar um convite para repousar e habitar aí. A atitude de uma receptividade aberta, livre e sem metas ou antecipações irá facilitar a presença do silêncio e da quietude, que vai sendo revelada como sua condição natural. 

PRINCÍPIOS BÁSICOS - parte 1

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PRINCÍPIOS BÁSICOS - parte 2

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PRINCÍPIOS BÁSICOS - parte 3






O despertar e o ego - Adyashanti fala sobre vários níveis do despertar e sobre o que é o ego em seus ensinamentos espirituais.


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"A meta de sentar em silêncio não é atingir o silêncio. 
Esse é o erro. Sentar em silêncio é para reconhecer que você É o silêncio."
 ADYASHANTI

* os vídeos são legendados em português pela equipe do ANANDA SHALA (com ajuda do Cael!)

O poder da atenção

"A maioria das pessoas não sabe que consciência é o que elas são. Não algo que acontece a elas..."


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NOVO!

desperte no mundo moderno 1


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uma mudança de percepção - parte 1


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uma mudança de percepção - parte 2


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a sabedoria do não-fazer

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Só há a vida vivendo a si mesma.

Vida vendo-se a si mesma.

Vida ouvindo-se a si mesma.

Vida encontrando-se a si mesma a cada momento.


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(Esse vídeo foi legendado pela equipe de Ananda Shala)



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"Meditação é a arte de deixar tudo ser como é...
Com isso, as pessoas percebem, pela primeiríssima vez, quão viciada é a sua mente em perseguir constantemente o melhor estado.
Se eu permitir que as coisas sejam como são, pode ser que eu não vá alcançar onde eu estou indo.
Mas se tudo já é, para onde você está indo?
A resposta então é muito clara: você está indo em direção à sua fantasia... e se em algum momento você chegar lá, só será uma fantasia."
 ADYASHANTI


(Esse vídeo foi legendado pela equipe de Ananda Shala)

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"O Um está se tornando mais consciente de si mesmo, 
e um dos subprodutos é que o apego naturalmente se desfaz"

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entregue-se ou sofra
(legendas em português no youtube)

http://www.youtube.com/watch?v=mQBhbEOf-54&feature=share



As Qualidades Indispensáveis do Despertar - (Adyashanti)

Na essência, a totalidade do empenho espiritual é muito simples: a Espiritualidade trata essencialmente do despertar como sendo a consciência intuitiva da unidade e a dissolução do nosso apego à consciência egóica. 
Ao dizer que a espiritualidade é uma coisa muito simples, não quero dizer que seja fácil ou difícil. Para alguns pode ser muito fácil, enquanto para outros pode ser mais difícil. Há muitos fatores e influências que desempenham um papel no nosso despertar para a realidade maior, mas os maiores fatores são em alto grau a nossa sinceridade, determinação e coragem.

A sinceridade é uma palavra que, ao ensinar, uso muitas vezes para transmitir a importância de se estar arraigado nas qualidades de honestidade, autenticidade e legitimidade. Não pode haver nada falso ou premeditado nas nossas motivações se devemos despertar totalmente para o nosso estado natural e íntegro de consciência unificada. 

Embora os ensinamentos e os mestres possam nos induzir a olhar para dentro “para a paz que está além de todo o entendimento", será sempre ao longo do fio da nossa sinceridade interior, ou da necessidade dela, que viajaremos. Pois o ego é inteligente e astuto na arte da dissimulação, e só a honestidade e a legitimidade do nosso ser inefável estão além da influência do ego. 

A cada passo e a cada respiração é-nos dada a opção de agirmos e respondermos, tanto interna como externamente, a partir do condicionamento da consciência egóica - que valoriza o controle e a separação acima de tudo mais - ou a partir da consciência intuitiva da unidade - que reside no silêncio interior do nosso ser.
Sem sinceridade, é fácil até para os maiores ensinamentos espirituais virarem um pouco mais do que brinquedos da mente. 

No nosso mundo veloz de consertos rápidos, de grandes promessas e de curtos lapsos de atenção, é fácil permanecermos em um nível muito superficial da consciência. Embora o estado desperto esteja sempre presente e mais próximo do que os seus pés, mãos ou olhos, ele não pode ser abordado de uma maneira descuidada ou não sincera. 

Há um motivo pelo qual se pede aos buscadores do mundo inteiro que tirem os sapatos e falem em voz baixa antes de entrarem em lugares sagrados. A mensagem que é transmitida é que devemos “tirar e aquietar” o nosso ego antes de nos ser concedido o acesso ao divino. Todas as tentativas do nosso ego de controlar, de exigir e analisar a realidade não têm nenhuma influência, senão a de tornar a vida mais conflituosa e difícil. Mas uma mente aberta e um coração sincero têm o poder de nos conceder acesso à constatação do que sempre esteve presente desde o início.

Quando as pessoas perguntavam ao grande sábio indiano Nisargadatta qual ele achava que era a qualidade mais importante de se ter para despertar, ele dizia "a dedicação". Quando você é dedicado, você é tanto sincero como determinado; ser determinado significa manter a atenção em uma coisa só. Descobri que a coisa mais desafiadora de se fazer para a maioria dos buscadores espirituais é ficarem concentrados numa só coisa por muito tempo. A mente pula p'ra lá e p'ra cá com os seus interesses e perguntas de momento a momento. É raro ela ficar com uma pergunta o tempo bastante para penetrá-la profundamente. 

Na espiritualidade é muito importante não deixar a mente egóica ficar saltando de um assunto a outro como um cão não adestrado. Lembre-se, o acordar trata da constatação da sua verdadeira natureza e da dissolução de todo apego à consciência egóica.

Minha avó que faleceu há alguns anos costumava dizer-me jocosamente, “envelhecer não é para os medíocres.” Ela estava bem ciente dos desafios de um corpo que envelhece, e, embora nunca se queixasse ou sentisse qualquer compaixão por si mesma, ela sabia diretamente que o envelhecimento tinha seus desafios bem como seus benefícios. Havia uma coragem dentro de minha avó que lhe servia bem ao aproximar-se do fim da vida, e fico feliz em dizer que quando ela se foi, foi de uma maneira disposta e sem medo. 

De uma maneira semelhante, o processo de chegar a um despertar pleno e maduro requer coragem, já que não só a nossa visão da vida, mas a própria vida se transforma para alinhar-se com a visão mística interior. Um coração sincero é um coração robusto e corajoso disposto a soltar-se diante da grande expansão desconhecida do Ser — uma expansão que a mente egóica não tem como saber ou entender.

Quando nossa consciência se abre além do estado onírico da consciência egóica para o nada infinito da consciência intuitiva, é comum para o ego sentir muito medo e terror quando começa esta transição. Embora não haja nada para temermos sobre o nosso estado natural do Ser infinito, tal estado está além da capacidade do ego de entender e, como sempre, os egos temem o que eles não entendem nem podem controlar. Logo que a nossa identidade deixa o reino do ego e assume o seu lugar legítimo como o infinito nada/tudo da consciência, todo o medo desaparece da mesma maneira como quando despertamos de um sonho ruim. 

Da mesma maneira que minha avó dizia: “Envelhecer não é para os medíocres,” também se pode dizer que, para se fazer a transição do estado de sonho ao estado maduro e desperto, é preciso coragem.

Sinceridade, determinação e coragem são qualidades indispensáveis no despertar do estado de sonho do ego para a paz e a tranqüilidade do Ser acordado. Só o que resta fazer é vivê-lo.

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O fim do seu mundo – o despertar no plano da mente


ADYASHANTI

Comecemos examinando o que ocorre à mente depois da experiência da Realização.
Que significa experimentar a libertação do vício da mente?
Todos sabemos como é estarmos divididos em nossa mente, com nossos pensamentos em conflito uns com os outros, com uma parte da mente dizendo: deveria ser assim, e outra parte dizendo: não deveria, não...

Ter uma mente dividida é ter uma mente em conflito consigo mesma. A maioria das nossas mentes se encontra em um grande conflito. Nossas pautas de pensamentos vão e vêm entre o que está bem e o que está mal, entre o correto e o equivocado, o sagrado e o profano, o que merece pena e o que não merece. Inclusive entre o iluminado e o não iluminado. Estes pensamentos polarizantes são a causa da experiência de divisão no plano da mente. À medida que despertamos, e nosso despertar penetra e se revela na mente, a primeira coisa que percebemos é que, na estrutura do pensamento, nada é uma verdade definitiva.

Bem, não me interprete mal. Não estou dizendo que a mente não tem valor ou que seja algo mau. A mente - que não é outra coisa que não os pensamentos - é uma ferramenta como qualquer outra, assim como um martelo, uma serra. Mas no estado de consciência que compartilha a maioria dos seres humanos, a mente se confunde com facilidade com algo que não é. Não se considera uma ferramenta, mas a fonte do sentido de identidade.

A maioria das pessoas pergunta frequentemente à sua mente: quem sou eu? Que é a vida? O que é a verdade? Recorrem à mente para que lhe diga o que devem ou não devem ser. Isso é ridículo! Você não iria à garagem perguntar ao martelo quem você é, o que é, o que deve fazer!...
Se você fizesse isso, e se o martelo pudesse lhe responder, diria provavelmente: “Por que me pergunta? Não sou a ferramenta adequada para responder este tipo de pergunta”.
E isso é o que fazemos com a mente.
Esquecemos que a mente é uma ferramenta útil e poderosa. Tudo começa nela, cada carro dirige, cada edifício em que entra, cada centro comercial em que vai, tudo começou como um pensamento na mente de alguém. Em seguida, este pensamento se considerou útil e necessário, e a idéia se manifestou em ação, de modo que a mente é útil e poderosa. Mas a consciência humana não considera que a mente seja apenas uma ferramenta. O que tem ocorrido é que a mente usurpou a realidade, converteu-se em sua própria realidade até o ponto em que nós, os seres humanos, encontramos o sentido de identidade - quem queremos ser, nossa auto-imagem - em nosso processo de pensamento.

À medida que a luz do despertar começa a penetrar no plano da mente, vemos que esta não tem realidade inerente. É uma ferramenta que a realidade pode usar, mas não é a realidade. Em e por si mesmo, um pensamento é só um pensamento. Não é intrinsecamente verdadeiro.
Você pode pensar em um copo de água, mas se tem sede não pode beber o pensamento. Pode pensar no copo de água até morrer, mas agarrar o copo físico e beber água é uma experiência totalmente diferente. Também pode pegar o copo e beber água sem pensar em absoluto no copo ou na água.
Assim, o pensamento mesmo está vazio de realidade. No melhor dos casos, é simbólico. Pode apontar em direção a uma verdade ou um a objeto, mas muitos dos pensamentos nem sequer fazem isso. Na nossa consciência humana, muitos pensamentos só pensam sobre outros pensamentos. O meditador pode estar meditando e um de seus pensamentos é: não deveria estar pensando. Mas, é claro, este também é um pensamento.

É muito fácil cair na armadilha dos circuitos de pensar sobre o pensamento. À medida que despertarmos no plano da mente, começamos a perceber para além dela e nos damos conta que a mente está vazia de realidade. E esta é uma compreensão profunda.
É fácil dizer que a mente está vazia de realidade.
Inclusive alguns podem entender isso facilmente.

Mas ver que a mente está vazia de realidade tem uma conseqüência radical. É radical ver que todos nossos sentidos de identidade e o mundo mesmo são criados pela mente.
Quando vemos que a estrutura do pensamento não contém realidade inerente, chegamos a ver que o mundo tal como o percebemos através da mente não pode ter nenhuma realidade. Isso é como um terremoto. O eu que percebemos que somos não tem realidade.
O despertar no plano mental pressupõe a destruição de todo seu mundo. E isso não é algo que podemos prever.

O que se destrói é toda nossa visão de mundo, todas as maneiras em que estamos condicionados, todas as nossas estruturas de crença e da humanidade, desde o presente até um passado distante. Todas estas estruturas e condicionamentos participam na criação deste mundo particular. Há um consenso sobre aquilo que todos os seres humanos concordam, desde considerar que todas as coisas são verdadeiras, chegando até coisas como: sou um ser humano, existe algo chamado o mundo, ou o mundo tem que ser de uma maneira particular.
O despertar na mente é a destruição completa de tudo isso, e portanto de todo nosso mundo.
Quando despertamos no plano da mente, começamos a pensar “meu deus, minha maneira de ver o mundo era totalmente imaginária. Literalmente, estava em estado de sonho! Não tinha nenhuma base na realidade. A forma de me ver também era completamente imaginária.” Não importa que te veja como iluminado ou não, como bom ou mau, digno ou indigno, a nova percepção mental faz com que todas as estruturas de ego sejam varridas completamente. É quase impossível expressar com coerência a completude dessa destruição do mundo mental.
É ver que não existe algo como um pensamento verdadeiro, é entender num plano mais profundo e ver que todos os modelos que criamos, inclusive os espirituais e os ensinamentos, são literalmente feitos de sonho.
Buda mesmo disse que todos os dharmas estão vazios. Os dharmas são os ensinamentos das verdades mesmas que ele ensinava. Uma das verdades que ele dizia é que todos os dharmas, todas estas verdades que contava a seus discípulos estavam vazias. A verdade de quem é está muito mais além, inclusive, dos maiores dharmas, dos maiores sutras, das maiores idéias que jamais se podem dizer, escrever ou ler.
Internamente isso é experimentado como destruição.

É importante dizer a todos que não se equivoquem: a iluminação é um processo destrutivo.
Não tem nada a ver com ser melhor e com ser mais ou menos feliz.
A iluminação é o desmoronamento da não-verdade.
É ver mais além da fachada do fingimento, a completa erradicação de tudo que imaginava que era verdade, desde nós mesmos até o mundo.
E neste processo, descobrimos que mesmo os maiores inventos das maiores mentes da história humana não são senão sonhos de meninos.
Saberemos que todas as grandes filosofias e todos os grandes filósofos são parte do sonho.
O despertar no plano mental é como abrir a cortina.
Como Dorotéia no Mágico de Oz: ela espera ver o grande Oz, mas quando a cortina se abre, o grande Oz é um pequeno homem de blusa branca.
Ver a natureza da mente é parecido.
É algo radical. Não esperávamos ver que tudo que considerávamos verdadeiro, em realidade é parte do estado onírico e mantém este estado.
Não existem os pensamentos iluminados. Ver isso pode ser um grande choque para nosso sistema. De fato, a maioria de nós se protege dessa verdade.

Dizemos que queremos a verdade, mas a queremos realmente? Dizemos que queremos ver a realidade, mas quando aparece é muito diferente do que havíamos pensado. Não encaixa em nosso contexto nem em nossas imagens. É algo que está absolutamente além deles. E não é só isso, mas em realidade destrói nossa capacidade de ver o mundo como o víamos antes.
Converte nosso mundo em escombros. Quando tudo está dito e feito, não nos resta nada. Temos as mãos totalmente vazias. Não temos nada a que nos agarrar.
Como disse Jesus: os pássaros têm seus ninhos nas árvores e as raposas suas tocas na terra, mas o filho do homem não tem onde repousar sua cabeça.

Não há conceito, não há estrutura de pensamento onde possa descansar. Isso é o que significa a liberação completa. A verdade do que somos só pode brilhar sem distorção com a liberação completa. No entanto, geralmente essa liberação completa no plano mental não é algo que ocorre de uma só vez no momento do vislumbre inicial da verdade. De modo geral, nossas construções mentais continuam caindo durante algum tempo depois do despertar, se é que você o permite.
Se vê que a derrocada da mente do mundo é o que a verdade deve ser, trate de consegui-la.
Não podemos ver as coisas em sua verdadeira natureza até que deixemos de vê-las em sua natureza falsa.
Estar plenamente desperto no plano da mente é algo muito profundo.

Muito frequentemente, quando me encontro com alguém que teve um autêntico despertar, descubro que em certa medida suas mentes se apropriaram de sua realização e a converteram em outra formulação mental. É claro um assombro que sua compreensão direta se deslize por entre seus dedos.
Antes ou depois descobrimos que não se pode conceitualizar a verdade.
Quando nos damos conta disso, a mente se converte em uma ferramenta. Torna-se útil para outras coisas que não os pensamentos. Emerge a possibilidade de que a mente, o pensamento, inclusive a fala, se originem em outro lugar. 

Então, quem usa a mente é o Ser. O pensamento pode surgir do silêncio, a fala pode surgir do silêncio, a comunicação pode surgir do silêncio, de um lugar que está além da mente. E então usamos esta como uma ferramenta, como um meio de comunicação para apontar, para orientar, mas sempre permanece transparente para si mesma. Nunca se perde nem cria uma nova crença ou ideologia.


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"O simples movimento da Vida"

Perguntar: “O que devo fazer?” é uma maneira velada de dizer “Como controlo esta situação?”. O único antídoto para este tipo de pergunta intencional é deixá-la ir. Como deixar ir a intenção? A questão se torna complicada, porque inclusive o esforço para deixá-la ir já é em si um ato intencional.

Provavelmente todo mundo já teve a experiência de tentar soltar-se ou render-se. No entanto, tentar e render-se são conceitos mutuamente excludentes. Ainda que tentemos, não acontece o deixar ir.

De modo que chega a um ponto em que todas as técnicas desaparecem, em que tudo o que podemos aprender sobre como reajustar a consciência para que se chegue a um estado de mais claridade falha. Nossas técnicas não servirão de nada. Chegará um momento em que nos daremos conta de que não há nada que “eu” possa fazer para desapegar no plano existencial; não há nada que “eu” possa fazer para render-me, na realidade não há nada que o “eu” possa fazer. Admitir isto completamente, ser penetrado totalmente por esta consciência, é em si mesmo o ato definitivo de soltar, desapegar, o ato de abrir mão.

A única coisa que podemos fazer como seres humanos é ver que “seguir agarrando” (apegar-se) é inútil; que toda intenção de agarrar-se é uma forma velada de rechaçar quem e o que somos realmente.

Despertar no plano do ventre requer afrontar e soltar nosso medo existencial mais profundo. Também exige afrontar e soltar o que eu chamo a vontade pessoal, ou a nossa parte que diz: “Isto é o que quero e assim é como eu quero”. Em última instância, a vontade pessoal é uma ilusão, e por isso é tão frustrante quando tratamos de usá-la para controlar e ditar os sucessos. Esta tarefa exige a rendição mais profunda, a mais profunda devoção e sinceridade em direção à Verdade mesma.

A verdadeira realização, a verdadeira iluminação, chega mediante a renúncia completa da vontade pessoal, um deixar ir completo. E quando nossa vontade pessoal se rompe, uma força completamente diferente entra em nosso sistema. É a força do Espírito, que agora pode ser operativa porque já não a evitamos ao nos apegarmos à nossa vontade pessoal.

À medida que sua vontade pessoal diminui, a gente costuma dizer: “Já não sei como tomar uma decisão”. Isto acontece porque operamos cada vez menos desde o ponto de vista pessoal. Há uma nova maneira de funcionar, e em realidade não se trata de tomar esta ou aquela decisão, a decisão correta ou a equivocada. É como navegar em uma corrente. Sente-se para onde se movem os acontecimentos e o que deve ser feito. É como um rio que sabe como desviar ao encontrar uma rocha. Trata-se de uma sensação de conhecer intuitiva e inata.

A maioria se encontra demasiadamente perdida nas complexidades de nosso pensamento para sentir que a vida é um fluir simples e natural. Mas, por debaixo do turbilhão do pensamento e da emoção, e por debaixo do apego da vontade pessoal, certamente existe uma corrente: o simples movimento da vida.


~ Adyashanti, "O fim do Seu Mundo"

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